segunda-feira, 17 de junho de 2013

Miscigenação do catimbozeiro


Miscigenação do catimbozeiro

 

Arqueologicamente falando o Brasil foi formado inicialmente por povos pré-históricos. Há vestígios encontrados e comprovados minimamente pelos sítios arqueológicos da Ilha de Marajó e na região de Santarém, na região Norte. Diversos outros sítios arqueológicos e inscrições rupestres podem ser são encontrados pelo país.

Historicamente narrando o Brasil foi formado por povos oriundos da África, povos indígenas nativos e pelos portugueses que aqui desembarcaram por volta do ano 1500 da Era Cristã, em naus e caravelas com uma cruz estampada nas velas. A história se incumbiu de fazer inserções e modificações culturais com migrações europeias e asiáticas. Economicamente o Brasil é um país novo no cenário mundial, de um mercado oscilante que depende de safras e climas, de situações políticas governamentais, de bolsas de valores e de bolsas de mercadorias internacionais.

Mas este mix de povos, economias e culturas, mais a diversidade religiosa mediante um processo histórico deu um ganho de cultura e aprendizado a partir dos múltiplos olhares. Foi menosprezado e diminuído por muitos, evitando e diminuindo o seu crescimento, mas sempre levantando, sacudindo a poeira e dando a volta por cima.

Exemplo melhor para o exposto acima é o jeitinho brasileiro de criar situações e soluções em casos extremos, como os vistos nos últimos dias. Movimentos de indigenização, onde se volta às raízes antigas com gestos ancestrais, criando tensões e conflitos para mudar o ambiente no qual  vivem, polêmicos, mas irresistíveis.

Ultimamente o país vem sofrendo, vivendo e convivendo com manifestações de diversas classes e etnias com diversas reivindicações e cobranças ao poder publico. Até na abertura de um jogo de futebol com um pais do outro lado do mundo e com destaque e transmissão internacional onde a presidenta foi vaiada pelo público presente no estádio. Estádios que vão se transformando em arenas.

O país vai ganhando espaço na mídia internacional, o espaço anteriormente ocupado por misérias e violências, escândalos e falcatruas vai se modificando e sendo ocupado por reivindicações populares.

Com a força policial utilizando de gás pimenta e gás lacrimogêneo logo apareceram outros temperos e produtos domésticos como antídotos contra efeitos de gases utilizados nas ruas, vinagre e produtos antiácidos. Talvez por falta de fornecedor ou de planejamento os manifestantes não revidaram com gás hilariante.

Todo poder autoritário gera em seu próprio modelo, recursos, estratégias e possibilidades de ser destituído.

 


Jornal de HOJE

 
Natal - Parnamirim/RN ─  16/06/2013
 
 
 
Roberto Cardoso
(Maracajá)
 
 
Cientista Social
Jornalista Científico
 
Sócio Efetivo do IHGRN
(Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte)

 

domingo, 24 de março de 2013

Celacanto provoca maremoto no RJ


Celacanto provoca maremoto no RJ
 

O regime pluviométrico vem se modificando a cada ano. As previsões meteorológicas estão passando por problemas e incertezas, já que estão baseadas em modelos matemáticos inseridos em sistemas computacionais, construídos ao longo dos anos que se passaram, com informações armazenadas em bancos de dados, desde a instalação dos sistemas de observação meteorológica visual, quando estes pertenciam ao Ministério da Agricultura (DMMET), fazendo parte de um sistema mundial conduzido pela OMM – Organização Meteorológica Mundial, órgão vinculado a ONU.

O sertanejo tem apostado na sabedoria secular da observação e comportamento da natureza. No Rio de Janeiro enchentes consecutivas destroem a região causando deslizamentos, desabamentos e mortes. Ao mesmo tempo em que falta água nas cacimbas e açudes do sertão nordestino, onde cidades estão desabastecidas e esquecidas.

Em qualquer grupo de conversa o assunto é que as coisas estão mudando, que o clima já não é o mesmo, que o tempo está passando mais rápido e que acontecimentos e pessoas não se comportam mais como antigamente. Os jovens passam o dia diante de um computador sem se interessar por livros. Pessoas que fazem uma postagem na internet a cada cinco minutos sobre o que estão fazendo ou pensando.

A vibração do mundo vem mudando, é outra, os desafios não são mais os mesmos, os objetivos estão mais distantes e a necessidade de se ajustar a esta nova sintonia se faz necessário ser mais rápida e cada um tenta a seu modo ser mais rápido.  Tudo muda a cada momento e não percebemos, a não ser que façamos uma pausa, ou uma parada para observar o que passou, e prosseguimos novamente. Pause: stop and play again.

Na década de 1970 uma brincadeira causou interesse, curiosidade, mistério e modificação do ambiente. Um grafite com a frase “celacanto provoca maremoto” alastrou-se por muros a partir da cidade do Rio de Janeiro. Deixou de ser grafite e passou a ser pixação, ocupou as rochas pelas estradas do estado, cada vez indo mais longe, saindo do estado. Informações dizem ter chegado aos EUA e Europa. Segundo consta a frase surgiu a partir de um filme seriado passado na televisão brasileira, um filme de origem japonesa, quando a televisão brasileira ainda transmitia imagens em P&B.
 

 
Um super herói nacional japonês de nome National Kid (década de 1960), que com uma capa e pistolas de raios defendia a Terra de invasões extraterrestres, ocorridas em cidades do Japão. Em uma das séries invasivas haviam seres denominados abissais que viviam dentro de um enorme submarino em forma semelhante a um peixe, um celacanto, peixe que vive em águas profundas onde a luz solar não alcança. Vez por outra ele vinha á tona causando transtornos a navegadores e cidades à beira mar, um dos personagens do filme certa vez mencionou a frase: celacanto provoca maremoto.  National Kid seria uma estratégia de marketing da empresa japonesa a National de aparelhos eletrônicos que mais tarde viria se chamar Panasonic.

Stop, parando e observando. Aliado as mudanças, invasões e transformações assistidas na TV o contexto cultural brasileiro também se modificava. O Rio de Janeiro sempre foi considerado a capital cultural. A jovem guarda, o movimento da tropicália os festivais da canção, a MPB. Cantores e compositores saíram de Salvador/BA, de Cachoeiro do Itapemirim/ES e foram para o Rio de Janeiro/RJ mostrar seus talentos. Foram para voltar e não voltaram.

A popularização das TVs em ambiente doméstico. Os reclames comerciais. A americanização entrava nas casas pela televisão construindo nossas cabeças desde a infância e os adultos da época já se espantavam, comentavam e criticavam, e nem se davam conta que suas cabeças também mudavam com filmes mostrando lares e famílias perfeitas.  O celacanto provocou um maremoto cultural e comportamental.

 

 
Parnamirim/RN -  24/03/2013
 
 
 
Roberto Cardoso
(Maracajá)
 
 
Cientista Social
Jornalista Científico
 
Sócio Efetivo do IHGRN
(Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte)

 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Qualidade e segurança do calcanhar ao cotovelo

Qualidade e segurança do calcanhar ao cotovelo

 
AIREP TGQ SBFN 1900 HZ CAVOK 20/12 ETA FMN SBNT 2000 HZ CST 20/12

Esta poderia ser uma mensagem de uma aeronave se aproximando do aeródromo AIRN NAT AS. E quando chegar nas proximidades de Touros/RN, na Ponta do Calcanhar as comunicações serão mais frequentes por estar dentro da área de aproximação e controle do terminal, administrado e controlado por DEPV-ANAC.

Dos acidentes geográficos no perímetro costeiro, da Ponta do Calcanhar em Touros/RN até a Ponta da Canela em Pipa – Tibaú do Sul/RN, passando pela Ponta do Cotovelo em Parnamirim/RN as comunicações, entre os pilotos das aeronaves e o solo, via torre de controle, são as principais ferramentas, com a participação direta de recursos humanos especializados na qualidade e segurança do pouso e decolagem.

Toda aeronave horas antes da partida precisa informar o seu plano de voo à autoridade competente no controle do espaço aéreo. — Tal como um plano de negócios: partindo de um lugar para chegar a outro. — O plano de voo constará de destino, altitude de voo, estimativa de tempo do voo, informações sobre da tripulação, escalas previstas e escalas alternativas para casos de emergências. Baseado nestas informações o voo será autorizado com definições e determinações das vias a serem percorridas. Como numa cidade, existem vias expressas no ar, com mão e contra mão. Afastadas por espaços e/ou por altitudes, umas das outras.

Da mesma forma os adeptos de voo livre, parapente e similares, tem regras de voo e procedimentos de segurança a serem respeitados. Bem como um espaço definido, dias e horários de voos. Uma área a ser utilizada, reconhecida e autorizada por autoridade competente, proporcionando segurança no seu próprio voo e nos voos de aeronaves como aviões e helicópteros, que possam transitar pelo mesmo espaço aéreo. Devem possuir um brevê habilitando-os a voar e permanente contato com órgãos de controle e proteção ao voo. Conhecer um pouco da física atmosférica com suas intempéries, e noções de primeiros socorros.

Os adeptos de parapente além da segurança e da qualidade da pipa, contam com um equipamento de individual de segurança - EPI, como capacete para proteção da caixa craniana roupas adequadas e outras proteções proporcionando segurança e qualidade de voo, do cotovelo ao calcanhar. Botas resistentes protegendo os pés, a canela, o calcanhar e o tendão de Aquiles, em um impacto na descida, no pouso. E proteção nos cotovelos, pois é preciso estar preparado aos imprevistos de um pouso forçado no meio de galhos e matas, arames farpados e uma infinidade de imprevisões.

ALFA LIMA FOX autorizado. Prossiga procedimentos.

Aguardando QSL
Roberto Cardoso
Survey
Técnico em Meteorologia
Sócio Efetivo do IHGRN
 
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Jota’s Club


Jota’s Club
 

Jurista, gênio de uma genealogia tomando jacuba como Judas de jugo em juventude sem janelas entre Jenipapo e Jenipapeiro. Passou por Jirau e Ji-Parana. Estudou Getúlio, Jango e Juscelino.

Com gibão gingando das juremas, jejuando com jabá e jatobá, vestido de janota e não mais de jeca, juntou geografias e justificativas e chegou justo, justamente em Jaboatão, onde fez juramento no juizado com júbilo, juízo, e foi juramentado. Atravessou o Jaguaribe na jusante de junco e chegou junto de João Pessoa. Jogou jongo, jantou jurupoca com januária e jurubeba e cantou Jamelão e dançou Jackson. Entrou em situação jurisdicional julgando ser jurisconsulto.

Fez joint venture, e jingle, jornais e jornadas com jujuba e joystick. Sem juízo justapôs jaleco de jérsei e giz julgando jurisprudência.  Jogando joça não pegará jacaré em Jijoca de Jericoacoara, nem  jangada na Jurema. Jamais jet-ski em Jurere, jogatina no Jorro e no jóquei, em janeiro, junho ou julho, ‘jamé’ de jato para Java, Jacarta e Japão.

Com jeito jônico jacobino foi juntando mais que sua jurisdição e chegou com as juntas de geringonças em terras de jerimum com ginga em Genipabu e jias do Jiqui. Terra de Governadores e Grossos, Galos e Galinhos; Do Jesuíta João M. Junior, filho de Jucurutu que clama Jesus junto com Jacó em Jo 4,10; Jagunços como Jesuíno e Jararaca; gel de Jandaíra e jataí, de jambo e de jamelão; de jegue e de jumento com jaez; de povo jurássico olhando para Júpiter; de jazidas de jade.

Gallia est omnis in partes tres -  Gladius Dei - Genius loci  uma jihad,.igual jiló. Tal como judô, e jiu-jitsu na jugular e sem juiz. Fez junção com Jeans, Joaquins e Julianas. Jornais com jabaculês e jactância. Juntas de Jung, não gritem como jaçanãs e jeitão de jabuti em jambeiro.

Janguies jorraram em jurisdições. Façam jus e justiça sem jubilação, judicioso com os jovens, os Jonas, os Josés e os Geoclaysons; as Josies e as Josuas.  Para não jazz aqui julgue ir genuflexo a Juazeiro, juramentar ser um jequitibá ou um jacarandá ou ainda juntar no jacá seus jargões jurídicos e voltar jururu para Jequié ou Jussiape de jeep com escala em Jeremoabo terra de Joviniano, vendendo jandaias em jaulas, jabuti, jacas e jabuticabas junto de jarros e jutas do Jequitinhonha.

 

30/11/12
 
Artigo publicado em:
O Mossoroense
Mossoró/RN em 04/12/12

Roberto Cardoso
IHGRN

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

MAPAS, Mapas e mapas.


MAPAS, Mapas e mapas.

 O melhor local para se comprar um jornal é inegavelmente nas bancas. Assinaturas e gazeteiros promovem comodidade, mas inibem a curiosidade. Em bancas de jornal, revistarias, procuramos uma revista ou um jornal e achamos além do que procuramos. Algo tão importante ou mais do que aquilo que procurávamos, e ainda outras, muito interessantes.

Ao folhear o Jornal de HOJE* (25/11), mas que na verdade chegou ás bancas ontem, me deparei com uma matéria cujo título continha a palavra ‘Mapa’. Jornal interessante que encontra-se em uma banca aqui e outra acolá. Ainda não descobri como é o mapa de distribuição do jornal.

A curiosidade levou-me a ler a matéria, e com o texto entendi tratava-se de uma sigla de Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento — MAPA. Antes de ler a matéria, e ainda lendo, vários mapas me passaram pela mente, até finalmente entender de qual mapa se tratava a referida matéria.

Os mapas de Piri Reis. Nos primórdios da geografia, buscando defini-la como ciência criando sua própria epistemologia. O mapa dos médicos para Monitorar Automaticamente a Pressão Arterial, com um aparelho preso na cintura do paciente verificando a pressão arterial por 24 h. E tantos outros como mapas Google Maps, mostrando o planeta com alta definição. Os mapas de acesso, muito comum nas entradas das cidades turísticas dando a direção aos visitantes. E citando pontos interessantes a serem visitados.

Mapas de localização, muito utilizados em shoppings e grandes lojas de departamentos, grandes supermercados, mostrando as seções e departamentos.

Mapas em bibliotecas facilitando aos usuários encontrar a obra que procuram. Em escolas podem mostrar não só a estrutura administrativa, como as saídas de emergência, extintores, posto médico e etc.

Mapa de riscos. Utilizado por empresas e instituições preocupadas e focadas com a segurança no trabalho, de seus funcionários, colaboradores e usuários, antecipando informações sobre os ricos químicos, por contaminação de produtos; riscos biológicos, também por contaminação de produtos ou presença de insetos e animais peçonhentos; e riscos físicos, podendo ser provocados pela própria arquitetura do local. Riscos ergométricos e posturais.

Mapas de acessibilidade informando antecipadamente aos portadores de deficiências de locomoção, e aos seus acompanhantes, dos portadores de limitações. Pelos mapas de acessibilidade podemos conhecer os tipos de equipamentos que facilitem ou promovam facilidades aos portadores de insuficiências, deficiências, principalmente as motoras. A arquitetura do local também deve ser modificada e sinalizada, facilitando a vida do portador de limitações. Escadas, banheiros, auditórios, bibliotecas, balcões de lanchonetes e outros serviços, tudo deve ser modificado tendo ou não a presença de um portador de limitações. É a política do momento, não fazer alterações identifica as limitações do administrador.

Qualquer empresário ao pensar em criar e montar uma empresa é instruído a construir um plano de negócios que nada mais é que um mapa detalhado com descrição de atos e fatos, itens que procuram identificar os caminhos da empresa a serem seguidos, contornando obstáculos e dificuldades.

Mas voltando a matéria do jornal, havia uma declaração enfatizando a responsabilidade do trabalho do fiscal do Ministério da Agricultura. Funcionário este que necessita de muito preparo para executar as tarefas pertinentes à fiscalização de entrada e saída de produtos de origem animal e vegetal em portos e aeroportos Este funcionário deverá estar apto a identificar o produto, consultar um mapa com a lista de produtos autorizados a entrar ou não, no estado ou no país. Analisar um mapa geográfico identificando a origem da mercadoria, o trajeto entre a origem e a procedência e o trajeto entre a procedência e o destino final. Saber coletar uma amostra, colocar esta amostra em embalagem apropriada, lacrar a embalagem com a amostra e enviar ao laboratório para análises mais detalhadas, não se esquecendo de preencher o mapa que relaciona as amostras enviadas ao laboratório, e seus resultados.

Terminando uma definição de alguns mapas. Envio o artigo ao jornal e coloco em um mapa semanal a tarefa de acompanhar no jornal, quem sabe a publicação de mais um artigo.

 * Jornal de HOJE - Natal/RN (25/11/12)
Roberto Cardoso
Membro do IHGRN
Produtor Cultural
 
Artigo Publicado
Jornal de HOJE
26/11/2012


 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Elephante de Shiva


O Elephante de Shiva

 Não sei onde e quando começou a história sobre o mapa do Estado do Rio Grande do Norte - RN ter semelhança com um elefante.  Como também não sei muito sobre uma história, com certeza indiana, que um elefante carrega o mundo nas costas. Mas é uma verdade que o mapa do RN assemelha-se a um elefante e que podemos encontrar o mundo sobre este elefante.

No RN encontramos uma série de cidades com nomes que poderíamos fazer um tour pelo Brasil e pelo mundo. Caso não acredite, venha ver, começando pelo povo nativo é possível encontrar alguns caiçaras. Podemos ainda encontrar estados brasileiros, algumas capitais estaduais, países e cidades do mundo. Viajar pela história encontrando cidades com nomes de presidentes, governadores e senadores. Escoltados por soldado e tenente, por major e coronel. Arvores de madeiras nobres e comuns. Animais, mamíferos, insetos e aves Jardins e floresta. Rios, riachos e lagoas. Serras, montes e montanhas. Santos e santas. Velhos e novos. Cidades, portos, pedras, lajes, pintadas e caiadas, pretas e grandes. Impossível citar todas, sempre haverá uma pendência é melhor “num jundiá”.

Observando o mapa podemos começar pela cidade de Alexandria que se localiza na tromba do elefante, tal como Venha Ver, indicando algo avistado, mirado.  Alexandria lembra a o farol e antiga biblioteca egípcia de Alexandria destruída por um incêndio. A a tromba investiga o ambiente, busca informação, tal como vamos ver e pesquisar nas bibliotecas. A tromba do elefante é capaz de pegar uma flor, mas também tem força para derrubar uma árvore, na tromba representada no mapa está também localizada a cidade de Paus dos Ferros. Além de investigar o ambiente a tromba serve para captar a água que será levada á boca, e na suposta boca do mapa encontramos o Rio Piranhas que forma a represa de São Rafael com a cidade que um dia foi inundada.

O olho do paquiderme riograndense está Mossoró, a cidade sempre enxergou o mundo com outros olhos, seja na cultura ou da libertação dos escravos, ou mesmo no episódio dos cangaceiros tentando entrar na cidade, mostrando uma flexibilidade e resistência tal como a árvore de nome mororó e que alguns estudiosos entendem como a origem do nome Mossoró. Além das salinas, brancas como uma esclera ocular, tem o petróleo negro e a variedade de frutas proporcionando várias cores e nuances de Iris.

Mossoró que tem como padroeira Santa Luzia a protetora dos olhos. A cidade que um dia foi invadida por um Lampião. Não cabe aqui discutir se Lampião e seu bando invadiram ou não a cidade, mas cabe uma hipótese do que seria Mossoró hoje sem o episódio de Lampião. Jararaca um cangaceiro do Bando de Lampião ficou na cidade e seu túmulo é visitado todos os anos no dia de finados, sendo atribuídos a ele alguns milagres. Do veneno da cobra jararaca é extraída uma substância usada no tratamento da hipertensão, o captopril..

Em Mossoró encontra-se uma universidade federal ligada a assuntos rurais. E diversos nomes de cangaceiros lembram fauna e flora do nordeste, de um jeito ou de outro estas espécies e nomes narrados pelos cangaceiros continuam por lá, quem sabe estudadas na universidade. Pássaros, répteis, árvores, flores e fenômenos meteorológicos.

Sob o ponto de vista das leis todo o homem que pertença a um grupo e pratique roubos com violência é classificado como bandido, desde que se apoderem de dinheiro destinado a terceiros. Seja em uma região urbana de uma cidade ou mesmo rebeldes guerrilheiros, organizados ou não, reconhecidos ou não. Uma definição muito vaga, pensamento de  E. J. Hobsbawn, nobre historiador, fato que o levou a um estudo mais aprofundado e um livro publicado, Bandidos.

Existem algumas espécies de elefante e o do mapa parece ser da China, já que está inscrito Macau em suas costas, uma cidade chinesa. Elefantes já foram usados na guerra, inclusive Maquiavel recomenda em sua bibliografia, que diante de uma manada de elefantes, saia da frente e deixe-os passar, não vale a pena enfrenta-los. Este elefante do mapa como está sozinho e representa o mundo com diversos povos reunidos, ele pacifica.

Os pés do elefante no mapa, não são muito distintos um dos outros, eles parecem estar juntos, em parelhas, ou cruzados formando uma cruzeta. Continuando no mapa e na vida, onde alguma coisa começa, outra termina,  temos Natal dos Reis Magos que anunciaram a chegada do Menino Jesus, e anunciam também a porção final do elefante.

Roberto Cardoso (Maracajá)
Ativista Cultural
Cientista Social
RM & KRM